O mercado brasileiro de green building entra em 2026 em uma fase de maior maturidade. Após anos concentrado em comprovar eficiência técnica — energia, água, conforto e qualidade ambiental — o debate começa a se deslocar para uma questão cada vez mais presente na agenda dos incorporadores residenciais: como projetos melhores passam a ser reconhecidos nas decisões de financiamento?
A base técnica já está construída. O Brasil figura entre os maiores mercados globais de certificações ambientais, com milhares de empreendimentos entregando desempenho consistente. Ainda assim, como aponta o Casa Toolkit – Da Percepção ao Lucro, desenvolvido pelo GBC Brasil com apoio do BID Invest, uma parcela relevante do valor econômico desses ativos segue subcapturada. Estima-se que entre USD 2 e 4 bilhões possam permanecer fora da conta do setor imobiliário brasileiro até 2032 — não por falhas técnicas, mas pela dificuldade de traduzir desempenho ambiental em linguagem financeira.
Esse cenário começa a mudar.
A partir de 2026, o risco climático e socioambiental deixa de ser um tema periférico para bancos e passa a influenciar, de forma mais concreta, as análises de crédito. A Resolução nº 279/22 do Banco Central exige que as instituições financeiras incorporem esses riscos às decisões de financiamento. Na prática, isso força o mercado a buscar critérios mais objetivos para diferenciar projetos mais resilientes daqueles mais expostos a riscos de longo prazo.
É nesse contexto que empreendimentos residenciais bem estruturados em green building ganham relevância. Certificações com verificação por terceira parte, quando acompanhadas de dados consistentes e boa governança técnica, passam a funcionar como sinais de menor risco operacional, maior previsibilidade de custos e melhor desempenho ao longo do ciclo de vida do ativo. O eventual suporte financeiro surge como consequência dessa leitura — e não como um benefício automático.
Esse movimento também se conecta a iniciativas institucionais mais amplas, como a Taxonomia Sustentável Brasileira, que organiza atividades econômicas segundo critérios ambientais e climáticos. A inclusão de atividades do CNAE F (Construção) nesse enquadramento sinaliza que o setor imobiliário começa a ser analisado de forma mais estruturada pelo sistema financeiro. A taxonomia não garante crédito, mas cria uma linguagem comum entre projetos, bancos e investidores, reforçando a importância de dados técnicos, certificações e evidências de desempenho.
Para o incorporador residencial, o impacto prático está menos na criação de novas linhas “verdes” e mais na qualidade da conversa com os financiadores. Projetos que chegam à mesa com informações bem organizadas passam a ter mais argumentos para pleitear melhores condições, apoiados em fatores como:
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menor risco operacional e de custos ao longo da vida útil do empreendimento;
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maior previsibilidade de desempenho, especialmente relevante em cenários de incerteza econômica;
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melhor percepção de valor do ativo como colateral;
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alinhamento regulatório e redução de riscos futuros.
Nada disso é garantido, mas passa a ser defensável técnica e financeiramente.
Um ponto central desse novo ciclo é entender que a certificação, isoladamente, não destrava valor. O que faz diferença é a capacidade de transformar a certificação em insumo para a tomada de decisão financeira. Isso envolve estratégia definida desde o início do projeto, acompanhamento de indicadores reais, documentação robusta e tradução dos ganhos ambientais em impactos operacionais e de risco.
Quando esse trabalho é bem executado, a certificação deixa de ser apenas um selo e passa a sustentar discussões concretas com bancos e investidores.
É nesse ponto que a Sustentech se posiciona. Nosso papel é apoiar incorporadores residenciais na estruturação técnica de seus projetos, garantindo consistência, governança e organização de dados que fortaleçam o diálogo com o mercado financeiro. Em um cenário em que o capital começa, ainda que gradualmente, a diferenciar projetos mais bem preparados, chegar à mesa com os insumos certos faz diferença.
O mercado brasileiro já demonstrou que sabe entregar edifícios residenciais mais eficientes e confortáveis. Em 2026, o que começa a se desenhar é um ambiente em que esses atributos passam a pesar mais nas decisões de financiamento. O green building deixa, aos poucos, de ser apenas um compromisso ambiental e passa a se consolidar como estratégia de negócio para quem desenvolve e incorpora.