O LEED v5 não é apenas uma atualização incremental da versão v4. Ele representa uma mudança clara de maturidade do mercado de green building: saímos de um modelo predominantemente focado em eficiência relativa e pontuação de créditos para uma lógica orientada a impacto real, gestão de riscos e desempenho ao longo do tempo.
Para quem desenvolve, opera ou investe em edifícios, a pergunta deixa de ser “quais créditos mudaram?” e passa a ser: como essa nova abordagem influencia decisões de projeto, operação e estratégia do ativo?
De checklist técnico para estrutura de decisão
No LEED v4, o caminho para a certificação era relativamente conhecido: atender aos pré-requisitos, otimizar créditos e buscar a pontuação desejada. O LEED v5 altera significativamente essa lógica ao reforçar o processo integrativo desde as fases iniciais do empreendimento.
Análises que antes eram opcionais ou pouco exploradas passam a ser pré-requisitos, como:
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avaliação de resiliência climática;
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impactos à saúde humana;
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análise e gestão de carbono.
Na prática, isso antecipa decisões estratégicas para o início do projeto e reduz a margem para “ajustes de última hora”. Projetos que nascem sem uma estratégia clara de sustentabilidade tendem a enfrentar maiores custos, retrabalho e riscos ao longo do ciclo de desenvolvimento.
Carbono no centro da certificação
Outra mudança estrutural do LEED v5 é a centralidade do carbono, tanto operacional quanto incorporado. No LEED v4, o tema aparecia de forma indireta, diluído em créditos de energia e materiais. No v5, ele se torna explícito e estruturante, com:
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exigência de projeções de carbono e planos de descarbonização;
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maior rigor em eficiência energética, eletrificação e redução de cargas térmicas;
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pré-requisitos de quantificação de carbono incorporado nos materiais.
Especialmente para projetos que buscam níveis mais altos de certificação, o recado é claro: não basta ser eficiente; é preciso estar alinhado a trajetórias reais de descarbonização.
Menos intenção, mais medição
O LEED v5 reforça de forma consistente a lógica de medir, monitorar e reportar desempenho. Essa abordagem se aplica tanto a novos projetos (BD+C) quanto a edifícios existentes (O+M), abrangendo energia, água, qualidade do ar e operação predial.
Com isso, ganham ainda mais importância:
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sistemas de medição e submedição;
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acesso contínuo a dados operacionais;
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comissionamento mais robusto e de longo prazo;
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monitoramento pós-ocupação.
Essa evolução aproxima a certificação da gestão real do ativo, reduzindo o risco de edifícios que performam bem no papel, mas falham na operação.
Saúde, experiência e resiliência ganham peso real
Outro avanço relevante do LEED v5 é a consolidação de temas relacionados à qualidade de vida, saúde e resiliência. Créditos antes fragmentados passam a ser organizados em torno da experiência do ocupante, com foco em:
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monitoramento da qualidade do ar;
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conforto térmico adaptável;
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iluminação, acústica e vistas;
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acessibilidade, inclusão e resiliência a eventos climáticos extremos.
Para o mercado imobiliário, essa abordagem reforça o vínculo entre sustentabilidade, valor de uso do edifício e retenção de usuários, especialmente em ativos corporativos e residenciais multifamily.
O que isso significa para quem está projetando e operando hoje?
O LEED v5 não invalida o conhecimento acumulado no v4, mas muda o jogo. Ele favorece projetos e ativos que:
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integram sustentabilidade à estratégia desde o início;
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utilizam dados para tomada de decisão, e não apenas para cumprimento de requisitos;
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encaram a certificação como ferramenta de gestão de risco e desempenho, e não apenas como um selo reputacional.
Em contrapartida, abordagens superficiais ou tardias tendem a ser penalizadas, tanto em custo quanto em viabilidade técnica.
Onde a Sustentech se posiciona nessa transição
Na Sustentech, entendemos o LEED v5 como a formalização de uma tendência que o mercado já vinha sinalizando: edifícios sustentáveis precisam performar melhor, técnica e economicamente.
Nossa atuação em green building está focada em apoiar clientes nessa transição, conectando estratégia de certificação, desempenho real e tomada de decisão de negócio, tanto em novos empreendimentos quanto em ativos existentes.
O LEED v5 aponta para um futuro mais exigente — mas também mais consistente. Para quem se prepara desde agora, ele deixa de ser um desafio e se torna uma vantagem competitiva real.